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sexta-feira, 20 de março de 2020

A QUARENTENA IRÁ PASSAR... COMO VOCÊ PASSARÁ POR ELA?


“Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. [...] Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. [...] Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos.” 
Salmo 90.1, 12, 17

O Salmo 90 tem preciosas lições para todos nós! Logo acima percebemos três versos que são muito pertinentes para a nossa reflexão em meio ao caos presente. Em primeiro lugar, entendemos que o Senhor tem sido o nosso refúgio, afinal de contas, sem Ele não somos nada, estamos desabrigados espiritualmente. Em segundo lugar, precisamos pedir que o Senhor nos ajude a contar estes nossos dias o que, logicamente, não se trata apenas de uma atividade algébrica. E, finalmente, é a graça do Senhor que nos sustenta e é o Senhor quem confirmará as obras das nossas mãos. Por isso precisamos fazer a nossa parte focados em Deus. Sem Ele todo nosso esforço neste momento será em vão.

Como lemos acima (e cremos), a quarentena irá passar pela graça do Senhor. Não sabemos “quando” isso ocorrerá porque sobre este tempo não temos nenhum controle. Só Deus sabe por quanto tempo ainda ficaremos neste isolamento. Precisamos sim, além de nos refugiarmos em nossas casas, entender que o verdadeiro Refúgio é o Senhor. Nossas vidas estão protegidas nEle, quer seja para esta vida, que o próprio Salmo nos indica ser passageira (muitos cristãos já morreram por causa desta enfermidade), quer seja para a vida eterna, guardada nas mãos de Jesus, mãos estas que foram perfuradas naquela cruz para que tivéssemos a verdadeira vida: a vida eterna.

Nós não temos controle nenhum sobre este “tempo”, muito menos sobre a nossa vida: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus 6.27). Somente Deus é soberano sobre estas coisas, mas nós podemos controlar nossas ações no dia de hoje: “Este é o dia que o SENHOR fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele.” (Salmo 118.24). Hoje é um presente de Deus, tanto pelo fato de estarmos vivos, como pelo fato de que podemos produzir algo para a Sua glória.

Neste sentido devemos ser sábios nestes dias, como o apóstolo Paulo nos ensina: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.” (Efésios 5.15-17). Precisamos aproveitar este tempo de maneira sábia.

Quero ainda exortar aos amados irmãos com as palavras de Tiago: “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos.” (Tiago 3.14). Não devemos ser infrutíferos neste dias, por isso recomendo a vocês:

1. Aproveitem este tempo para oração: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tiago 5.16). Orem em favor de sua família, dos enfermos, dos profissionais da saúde, das autoridades, dos comerciantes e todos afetados diretamente devido a esta quarentena. Não deixemos também de, em meio a tudo isso, glorificar ao Senhor que está no controle e tem um plano maior do que aquilo que conseguimos enxergar neste momento.

2. Aproveitem este tempo para leitura da Bíblia: “A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices.” (Salmo 19.7). Ao invés de ficarmos agonizando pelas notícias e mensagens constantes, tenhamos mais tempo para pensar nas coisas do alto do que nas coisas da terra. É o Céu que rege a terra, não o contrário. Aproximemo-nos do Senhor e ouçamos a Sua voz, ela traz restauração para a alma aflita e sabedoria neste momento de incertezas.

3. Aproveitem este tempo para louvar ao Senhor: “Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais.” (Efésios 5.19). Aproveitemos este tempo para exaltar ao Senhor. Para aqueles que são da área de música, aproveitem este tempo para exercer seus dons e talentos, quem sabe até compondo músicas! Se você não tem esta habilidade, coloque um louvor e cante junto, ou até mesmo o faça sem este auxílio. O importante é: não deixe de louvar ao Senhor, afinal de contas, o louvor é a oração em forma de melodia e orar é falar com Deus.

4. Aproveitem este tempo para leitura de bons livros cristãos: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo.” (Provérbios 27.17). Este é um momento de “afiarmos as nossas ferramentas”, não um momento de “férias”. Aprouve a Deus que tivéssemos este momento de “pausa” aqui no SETECEB. Mas a nossa vida acadêmica não deve entrar em recesso, temos diversos irmãos em Cristo, escritores, que são nossos “amigos” que podem nos auxiliar neste processo para sairmos da atual crise mais afiados e mais preparados para servir ao Senhor.

5. Aproveitem este tempo para cultivar a vida em família: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos!” (Salmo 128.1). Este Salmo fala sobre a bênção do Senhor derramada sobre a família. Devemos fazer deste período um momento de estreitamento dos nossos laços familiares e de cultivar a nossa devoção em família. Que tenhamos momentos para deixar as redes sociais de lado e estreitar a nossa comunhão com aqueles que estão debaixo do mesmo teto. Tenhamos momentos preciosos na presença do Senhor, que é o nosso protetor (Salmo 127), mas também de lazer e diversão em família. 

6. Aproveitem este tempo para organizar sua vida: “Por isso, todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas.” (Mateus 13.52). Jesus quis mostrar que os discípulos deveriam compreender Seus ensinamentos e organizá-los tendo como base os “velhos” ensinamentos do AT, assim como um pai de família organiza seu depósito ao tirar de lá coisas novas e velhas. Pegando esta aplicação secundária, aproveitemos este momento para organizar o que estava sendo deixado de lado, devido à falta de tempo.

Não somos responsáveis pela duração deste tempo de quarentena, mas somos responsáveis pelo que estamos fazendo com esta dádiva do Senhor que é o tempo. Este bem precioso uma vez desperdiçado nunca mais será recuperado. Que estes dias sejam bem contados na presença do Senhor e que ao olharmos para trás vejamos as obras que o Senhor confirmou em nossas vidas. Louvemos a Ele por continuar sendo o “nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Salmo 46.1).

Pr. Franck Neuwirth

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Dialogando com a nossa cultura: uma leitura musical sob a ótica da criação, queda e redenção

cultura
Se existe algo que dificulta um diálogo inteligente entre os cristãos e a nossa cultura é o fato de que, geralmente, estes se posicionam (muitas vezes até corretamente) sob determinadas questões sem, contudo, dialogarem com os descrentes, apontando os aspectos de sua fé que foram influentes neste seu posicionamento. Muitos, infelizmente, não sabem dar a razão da esperança que possuem…

Há um tempo realizei um trabalho um tanto desafiador, porém muito interessante: efetuar uma “exegese musical”, sob a ótica da criação (elementos presentes que evocam a origem do ser humano e aspetos implantados por Deus em nosso “DNA”), queda (o que o pecado fez e que “estragou” aquilo de bom que Deus havia implantado no homem) e redenção (como podemos observar uma tentativa humana de redimir o que o pecado estragou e como podemos aproveitar estes elementos para criar “pontos de contato” com as pessoas).
Vejo que, em muitos casos, os cristãos estão, utilizando-se das “pedras” (fundamentos da fé), criando muralhas para se defenderem da cultura, ao invés de tentar construir pontes e levar o Verdadeiro Evangelho ao encontro daqueles que, como nós há tempos, vivem sem esperança e sem Deus neste mundo (Ef 2.12).
Escolhi a música abaixo e encontrei vários “pontos de contato” que evidenciam a ânsia de cada pessoa na busca por algo que é tremendamente legítimo (divertir-se), porém sem alcançar bons resultados…
Vamos à música e às considerações mais adiante que certamente trarão uma boa reflexão para todos nós…
Música: Diversão (Titãs)

A vida até parece uma festa,
Em certas horas isso é o que nos resta.
Não se esquece o preço que ela cobra,
Em certas horas isso é o que nos sobra.

Ficar frágil feito uma criança,
Só por medo ou por insegurança.
Ficar bem ou mal acompanhado,
Não importa se der tudo errado.

Às vezes qualquer um faz qualquer coisa
Por sexo, drogas e diversão.
Tudo isso às vezes só aumenta
A angústia e a insatisfação.

Às vezes qualquer um enche a cabeça de álcool
Atrás de distração.
Nada disso às vezes diminui
A dor e a solidão.

Tudo isso, às vezes tudo é fútil,
Ficar ébrio atrás de diversão.
Nada disso, às vezes nada importa,
Ficar sóbrio não é solução.

Diversão é solução sim,
Diversão é solução prá mim.
Diversão é solução sim,
Diversão é solução prá mim.
Diversão é solução sim,
Diversão é solução prá mim.
Diversão!
Diversão!

1. História – Qual a história que a canção conta?
Esta música faz uma comparação da vida com uma festa, dizendo que em muitos momentos o que nos sobra nesta vida é poder desfrutá-la, ainda que o preço a pagar pela nossa diversão seja alto demais. Logicamente o autor está falando no preço cobrado por uma “curtição” (diversão) embasada no sexo e nas drogas.
A música ainda informa que uma diversão embasada no vício deixa a pessoa totalmente fragilizada, como uma criança, tendo em vista que os efeitos colaterais da droga muitas vezes promovem sentimentos de medo e de insegurança, ainda que a pessoa esteja acompanhada de seus amigos ou “amigos”. Ressalta, porém, que o sexo e as drogas não resolvem o problema da pessoa, pelo contrário, por vezes aumenta sua angústia e sua insatisfação com a vida.
Mas não é somente o sexo e as drogas que possuem estes efeitos colaterais, o álcool, que também é buscado pelas pessoas para tentar promover a diversão, também é ineficaz em seus efeitos, aumentando também sua angústia e sua insatisfação.
Esta música reconhece por fim que tudo isso é algo fútil, se embriagar buscando uma diversão. No entanto, por não apontar para uma saída satisfatória, acredita que se manter sóbrio também não resolve o problema da pessoa. Termina dizendo que a diversão é a solução para as pessoas, diversão esta que, de acordo com o início da música, está embasada nos prazeres que o vício proporciona, ainda que o preço a pagar seja a angústia (por não resolver os problemas da vida) e a insatisfação (pois o período de “alegria” que o vício promove é momentâneo e sempre se vai em busca de algo mais).

2. Investigue elementos da Criação
A diversão faz parte da vida do ser humano desde a sua criação. Deus quando criou Adão e Eva, os colocou num jardim chamado Éden (Gn 2.8), que quer dizer “delícia”! Assim sendo, podemos entender que o desejo desta música, ainda que não plenamente compreendido pelo autor, mas que evoca algo do íntimo de cada ser humano, é conseguir restaurar o Éden em nossas vidas, buscando prazer e diversão, por meio das “delícias” que este mundo pode oferecer, porém, muito distantes da verdadeira “delícia” original.
A sexualidade foi algo criado por Deus para ser desfrutada dentro do plano que Ele estabeleceu, que é o matrimônio. O ser humano busca satisfazer este desejo legítimo, já que é um desejo planejado pelo Criador. No entanto, nesta música, também não consegue atingir o propósito de Deus, visto que ocorre fora dos laços matrimoniais.
Podemos ver nesta música um discernimento do bem, quando o autor julga que uma pessoa pode estar bem ou mal acompanhada (uma pessoa bem acompanhada, de acordo com a música, terá auxílio quando as coisas não ocorrerem da maneira como ela espera). Tal atitude de se preocupar com aquilo que é bom, também nos leva de volta ao Éden, onde tudo era somente para o nosso bem estar.
Outro aspecto que chama a atenção é que o autor desta música prevê que uma diversão somente ocorre quando uma pessoa está acompanhada. De fato, Deus não nos criou para vivermos sozinhos (Gn 2.18), e a diversão ocorre quando estamos acompanhados, bem ou mal de acordo com a música, mas precisamos sempre de alguém para estar ao nosso lado e nos divertir plenamente.

3. Investigue elementos da Queda
Existe nesta música a deturpação da diversão sadia. Como vimos, Deus nos criou para desfrutarmos do Éden, porém, devido ao pecado da humanidade, fomos expulsos dele. Infelizmente, por isso, “qualquer um faz qualquer coisa” tentando se divertir e, por causa da queda, o que a humanidade têm colhido é a angústia e a insatisfação. Deus nos fez para desfrutarmos de uma diversão, no entanto, a diversão que este mundo oferece é temporária, frustrante e prejudicial ao próprio ser humano.
Deus fez as frutas para servir de alimento para o ser humano, podemos dizer que as frutas também são para o deleite do mesmo (haja vista que possuem um sabor apetitoso também, não apenas nutrientes), porém o homem, devido ao seu pecado, descobriu que um processo de fermentação destes alimentos, produz o álcool que, bebido em excesso, contribui com seus efeitos para um “escape” da realidade quando as coisas não estão caminhando muito bem.
Esta música chega a ecoar a sabedoria de Salomão no livro de Eclesiastes, quando diz: “tudo isso, às vezes tudo é fútil”. Salomão disse: “Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade” (Ec 1.2). Com isso ela enfatiza o desespero de alguém que não consegue encontrar sentido nas coisas que fazemos na vida, corremos, corremos e não encontramos solução.

4. Investigue elementos da Redenção
Existe uma tentativa de se buscar a redenção de um mundo que gera angústia e insatisfação na vida das pessoas. É por isso que elas estão dispostas a qualquer coisa para resgatar a alegria perdida e a diversão que nossa alma anseia. É uma pena que as pessoas acabam buscando o certo nos lugares errados, nunca atingindo a redenção almejada.

5. Como utilizar esta música para evangelismo, discipulado, apologética, etc.
O homem busca se divertir, mas deve reconhecer que a verdadeira diversão só é obtida quando nos alinhamos ao Plano divino que envolve sim uma vida abundante e divertida (conf. Jo 10.10), mas que culmina com uma vida eterna nos Céus.
O Deus da Bíblia não é contra a diversão, como muitos podem questionar. Na verdade Ele até nos incentiva a isso (planejando vários períodos de festas para o povo judeu, por exemplo), o que ocorre é que, como um Pai amoroso, Ele não quer ver os seus filhos praticando atos irresponsáveis quando se divertem e também não quer que canalizemos nossa alegria em outra direção que não seja nEle próprio, como o povo de Israel chegou a fazer e foi punido por isso. Veja o texto a seguir:
Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. (1Co 10.6–13)

Uma pessoa pode querer se divertir, aliás, ela deve se divertir, porém, qualquer diversão que não aponta para um relacionamento com Deus e com o próximo de maneira saudável, é vaidade e correr atrás do vento. Diversão é a solução para os habitantes deste mundo triste e medonho, mas esta verdadeira diversão só consegue ser desfrutada na alegria do Espírito, como lemos em Romanos 14.17: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”.
Pr. Franck Neuwirth