terça-feira, 25 de setembro de 2018

OBSTÁCULOS COMUNS PARA NÃO ATENDER AO CHAMADO DE DEUS

     Geralmente, quem é chamado por Deus para alguma obra é acometido de vários sentimentos. O problema nem sempre está no fato de não confiar em Deus, mas em não confiar que Ele quer usar pessoas tão pequenas como nós. Vejamos o exemplo disso na vida de Moisés, quando Deus o chamou para guiar o povo (Êxodo 3 e 4):

1.    Sentimento de INFERIORIDADE: “Quem sou eu?” (3.11)

Moisés não se achava capaz para tamanha obra (quem se acha capaz para o ministério?) e por isso menciona esse primeiro obstáculo que todos nós temos para abandonar nossa zona de conforto e seguirmos na direção do chamado divino.

A resposta divina:

“Eu serei contigo” (3.12). Quem bom saber que o Senhor está conosco no ministério, como também disse Jesus: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28.20).

2.    Sentimento de INCREDULIDADE: “Qual é o seu nome?” (3.13)

Moisés não tinha certeza como iria explicar o chamado dele para as outras pessoas, muitos poderiam dizer que era uma mera invenção de sua cabeça. Por vezes tal sentimento também invade as nossas mentes. Precisamos crer nAquele que nos chama.

A resposta divina: “EU SOU O QUE SOU” (3.14). A menção do Nome do Senhor daria credibilidade a Moisés e este compreenderia que de fato era Deus quem o chamara para essa difícil tarefa.

3.    Sentimento de INSEGURANÇA: “não crerão, nem acudirão à minha voz” (4.1)

Moisés não cria que as pessoas iriam ouvi-lo. Para ele seria muito difícil voltar 40 anos depois para liderar um povo que não creria em sua mensagem. Nós também podemos ter diversas dúvidas no início e até pensar que é um engano do nosso coração, porém o Deus que nos chama, autenticará o nosso ministério!

A resposta divina: “Que é isso que tens na mão?” (4.2). É interessante notar que Deus quer nos usar com aquilo que já temos. Ele quer utilizar aquilo que temos para Sua glória, quer sejam os nossos dons, nossos talentos, nossa profissão, o que quer que seja. A pergunta é: Você quer consagrar o que tem para a glória do Senhor?

4.    Sentimento de INCAPACIDADE: “Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua” (4.10)

Moisés tinha em seu coração que não era capaz de se dirigir diante do Faraó para pleitear a causa do povo e muito menos para falar em público diante da grande multidão dos israelitas. Realmente falar em público, no começo, é muito difícil. Por isso devemos ter sempre em nossas mentes que o Deus que nos chama nos capacitará para toda boa obra.

A resposta divina: “Eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar.” (4.12). Já deu para ver que não adianta dar desculpas para não responder ao chamado divino, como diz aquela célebre frase cristã: “Deus não chama os capacitados, capacita os chamados”. Diante de um Deus tão santo e perfeito, ninguém está apto para coisa alguma digna de louvor.

5.    Sentimento de IRRESPONSABILIDADE: “Envia aquele que hás de enviar, menos a mim” (4.13)

Moisés cria que a obra do Senhor iria acontecer, pois já viu que o Senhor estava insistindo muito nisso, porém quis “pular fora” do chamado, deixando Deus à vontade para escolher outra pessoa. Com isso ele demonstra irresponsabilidade, pois não cria que deveria se envolver com o ministério.

     A resposta divina: “se acendeu a ira do SENHOR contra Moisés” (4.14). Moisés deixou o Senhor irado com suas desculpas e perde a oportunidade de ser o porta-voz direto do Senhor. Agora o caminho da mensagem de Deus seria: SENHOR – Moisés – Arão – Povo. Deus pode até utilizar outros na Sua obra, mas nunca dispensa aqueles aos quais chamou. Lembra da história do profeta Jonas?

     Um verso que tem acompanhado minha vida e meu ministério é o de 1Tessalonicenses 5.24: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”. Deus sempre é Fiel e nos capacitará para cumprirmos com o chamado que Ele mesmo nos fez. Se o Senhor o tem chamado para o ministério, não dê desculpas, não perca tempo, mais cedo ou mais tarde você terá que obedecer.

Pr. Franck Neuwirth

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Sendo aprovado na universidade de Deus

Sendo aprovado na universidade de Deus
Texto: Daniel 1.1-21


Introdução

Daniel tinha cerca de quatorze anos (talvez um pouco mais) quando fora levado para a Babilônia... Ainda hoje, esta é uma idade de grandes mudanças na vida da nossa juventude. Muitos jovens em nossos dias experimentam, a partir dos 17 anos, o contexto da vida universitária.
Semelhantemente ao contexto experimentado por Daniel naquela época, o contexto universitário é um ambiente muito hostil para o jovem crente, fazendo com que muitos deles, infelizmente, sejam reprovados na Universidade de Deus, isto é, cedam aos encantos e aos valores que o mundo universitário oferece para a juventude: uma vida desregrada, uma vida alheia às coisas espirituais (e biblicamente corretas) e uma vida onde o intelectualismo fala mais alto do que a fé no Deus verdadeiro.
Neste estudo, observaremos a vida de Daniel e de seus três amigos e compreenderemos como podemos ser aprovados, não somente na Universidade da vida, mas, sobretudo, na Universidade de Deus.

1. Para ser aprovado por Deus é necessário uma vida íntegra (v. 1-7)
Deus, por vezes, permite os desertos nas nossas vidas para testar a integridade de Seus filhos. Lemos em Deuteronômio 8.2 uma explicação sobre o porquê do tempo de peregrinação do deserto: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.”
Assim sendo, podemos dizer que, no meio do cativeiro babilônico, o Senhor iria também provar o Seu povo, como alguém já disse: “Nós somos quem somos quando estamos sozinhos” e nestes momentos de suas vidas tais jovens foram para a corte de Nabucodonosor e começam a experimentar uma vida de luxo, não uma vida de privações como tantos outros israelitas estavam vivendo. Foi neste momento que a integridade deles fora provada.
Muitos poderiam pensar que encontraram a “oportunidade de ouro” para ter uma vida próspera e se esqueceriam de seu relacionamento com Deus. Eles até tiveram seus nomes mudados que, ao invés de demonstrar uma dedicação ao Deus verdadeiro, agora demonstravam uma dedicação aos deuses da Babilônia. Por isso, eles poderiam ter um comportamento totalmente alheio às coisas de Deus, que estariam totalmente no anonimato.
No entanto, para Daniel esta mudança ocorrera somente em seu exterior, não em seu coração. E, ao invés de se deliciar com as finas iguarias do rei, se submeteu à provisão divina e foi aprovado por Deus! Ele não se contaminou, apesar da mudança cultural a que foi submetido.
Você, como um jovem cristão, tem se submetido aos valores da vida universitária ou tem se mantido fiel aos valores que tem aprendido na Palavra de Deus e no contexto de sua família cristã? Tem conseguido se manter fiel a Deus, apesar das grandes mudanças que tem enfrentado?

2. Para ser aprovado por Deus é necessário uma vida influente (v. 8-16)
Mas Daniel não ficou somente na defensiva, ele fez muito mais do que simplesmente viver no isolamento: Ele procurou influenciar as pessoas ao seu redor. Daniel, primeiramente, influenciou seus amigos no regime “anti-idolatria”.
De acordo com os comentaristas, os alimentos oferecidos aos jovens durante este tempo de preparo não cumpriam os requisitos da Lei mosaica e, portanto, eram inapropriados para um judeu comer. Estes alimentos certamente foram oferecidos aos ídolos da Babilônia. Além disso, para Daniel, beber o vinho do rei também era algo que prejudicaria seu relacionamento com Deus e seu testemunho.
Daniel também influencia outras pessoas ao sugerir uma “troca” de cardápio mediante um teste de 10 dias. Daniel teve ainda que falar com o chefe dos eunucos e com o cozinheiro-chefe! Imagine a coragem dele ao falar com cada um deles e expor suas convicções religiosas! Ele teve coragem de enfrentar uma ridicularização por parte destes e também por parte dos outros jovens que não estavam se submetendo ao “cardápio” de Daniel. Possivelmente eles foram tachados como o grupinho dos “crentes comedores de legumes”.
Você tem coragem de defender suas convicções na Universidade? Tem coragem de dizer aos professores e colegas de classe que possui um padrão de vida totalmente diferente dos demais? Tem coragem de dizer que crê em Deus e que vive sob as orientações da Sua Palavra?
Já parou para imaginar como se consegue “engordar” num período de 10 dias comendo somente legumes? Certamente Deus honrou a vida de Daniel ao fazer que ele tivesse a aparência bem melhor do que os demais! O mesmo ocorre com todos aqueles que se mantém fieis ao Senhor, no final dos tempos a nossa aparência é bem melhor do que a dos demais, pois vivemos sob a lei de um Deus que sempre quer o nosso bem!

3. Para ser aprovado por Deus é necessário uma vida inteligente (v. 17-21)
A Palavra de Deus nos afirma em Tiago que, se precisamos de sabedoria para enfrentar os desafios da vida, devemos pedir a Deus (Tg 1.5). Podemos ver que Daniel recebeu do Senhor a sabedoria necessária para enfrentar os desafios na Babilônia e nós também devemos pedir a Ele que nos capacite para saber como devemos agir nestes momentos.
A Bíblia ainda afirma que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 1.7). Logicamente, Deus não despreza a nossa inteligência, já que a própria inteligência é um dom dEle e devemos utilizá-la também para a Sua glória. Porém, assim como necessária muita inteligência para ser aprovado na Universidade da vida, exige-se muita sabedoria para ser aprovado na Universidade de Deus e o temor a Ele é um fator preponderante para este sucesso.
Daniel desenvolveu sua inteligência na Universidade da Babilônia. Deus o capacitou para que ele crescesse e se desenvolvesse em toda cultura e sabedoria. Além disso, Deus ainda o capacitou com a habilidade de discernir visões e sonhos, requisitos estes que foram muito utilizados por Deus na vida Daniel em seu ministério na Babilônia. Podemos dizer que Deus entende de toda a ciência, pois foi Ele quem Deus ao homem condições para esta fosse desenvolvida e descoberta. Portanto, podemos e devemos desenvolver todo o nosso potencial mental, mas devemos fazer tudo isso para a glória de Deus, afim de que Seu nome seja honrado sempre.
No final do período de três anos, todos são aprovados na Universidade da Babilônia, mas somente Daniel e seus amigos foram também aprovados na Universidade de Deus, sendo melhores do que os melhores!
Por fim, lemos na Bíblia que “o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2.17). Isso nos mostra que os valores deste mundo são transitórios, são passageiros, mas todos os servos do Senhor têm uma promessa de que sua vida não terminará aqui. Daniel, já naquela época, experimentou um pequeno vislumbre disso, pois continuou vivo até o final reinado de Ciro, ou seja, além do próprio rei que o levara cativo! No final do seu livro, Deus teve uma outra promessa para Daniel: a promessa de vida eterna (conf. Dn 12.13).
Sua visão é de apenas sucesso momentâneo, sendo aprovado na Universidade da vida? Não seja um jovem medíocre! Deus tem uma vida muito mais abundante aqui na Terra para você, mediante um sucesso na vida cristã e que culmina com a vida eterna nos Céus!

Conclusão
Ser aprovado na Universidade da vida é fácil. Qualquer pessoa com um pouco mais de esforço consegue alcançar êxito. O difícil é ser aprovado por Deus em Seu vestibular, mas para isso precisamos de:
  • Uma vida íntegra, que enfrenta as dificuldades e mudanças sem deixar de lado suas convicções e seu temor a Deus.
  • Uma vida de influência, fazendo com que outras pessoas tenham a oportunidade de se relacionar com pessoas que vivem sua fé e demonstram publicamente em quem têm crido, sem se envergonhar.
  • Uma vida de inteligência, que aproveita as oportunidades do meio acadêmico para crescer como pessoa e que também são aprovados por Deus e usados por Ele para a sua glória.

Pr. Franck Neuwirth